Ainda que meio tardiamente, eis que a CDA resolve embarcar no bonde da história. Sei que ela fará isso ora com a classe de uma senhorita pudica e casadoira que mede os passos e segura as saias para que o vento não lhe revele o que deve permanecer escondido... Ora com o ímpeto de um gurizote meio ranhento, que se pendura no estribo mesmo que não tenha lugar algum para ir, apenas pela audácia de desafiar o trocador... Ora com a placidez e sensação de dever cumprido do trabalhador, em roupas cinzas, que retorna para casa no exato instante em que a cidade acorda...
Ela o fará assim simplesmente porque em sua alma está o fragmento: não é uma, mas muitas, e todas diferentes. A CDA é um caldeirão efervescente em que convivem, de forma mais ou menos harmônica, histórias e caminhos que, não fosse por ela, provavelmente jamais poderiam se cruzar. Se estivéssemos em um poema, bebendo das metáforas, seriam histórias e caminhos condenados à paradoxal solidão das paralelas, mas talvez já não haja lugar para esse lirismo de outros tempos...
Então a proposta destas cdazices, mais que se arvorar à invenção do neologismo, parece ser exatamente a celebração dessas coisas que nos unem justamente porque nos separam... Assim, desavisado leitor, não se acanhe em praguejar quando tropeçar em um traço solto, em um verso meio debochado, em uma imagem provocativa a lhe fazer caretas e mostrar a língua... Tudo isso faz parte do show... E o show tem que continuar.
Senhoras e senhores, segurem seus chapéus...
R.
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