quando falta o verso
vê a bula
burila palavras
inventa anagramas
risca e rabisca
arrisca...
terça-feira, 1 de abril de 2008
segunda-feira, 21 de janeiro de 2008
Leona e o bandonéon

E já que o assunto parece ser as andanças pelos países vizinhos, eis aqui uma imagem que, embora nada tenha a ver com as paisagens ermas povoadas por leões marinhos, tão bem descritas pela Cláudia, também tem aqueles ares de coisas inusitadas que raramente imaginamos tão perto.
Em uma das minhas idas a Buenos Aires eis que topei com esse velhote e seu bandoneón, espalhando a voz poderosa do instrumento que parecia cair como uma chuva de folhas de outono em pleno verão portenho, cobrindo todos os arredores da famosa e caótica Feira de San Telmo com a melancolia que só uma viagem ao passado consegue desenterrar. Tal qual certo flautista oportunista do era uma vez, o velhote magro, e até certo ponto apático, encantava um pequeno grupo que sabia que uma viagem é mais do que a compra indiscriminada de bugigangas.
Os dedos ossudos corriam lépidos pelas chaves do instrumento contrastando com a indiferença da igreja cuja soleira lhe dava um precário abrigo contra o sol e, em uma passagem mais vertiginosa de sua melodia, não mais que um estalo, Leona, minha deliciosa e incidental companheira de viagem australiana, tal qual uma das muitas bailarinas das caixas de música, regateadas pelas bancas ao redor, se põe a rodopiar por sobre os paralelepípedos centenários.
A arte fluindo de mãos cansadas, o frescor infantil se traduzindo em pés ligeiros. Naquela hora, os dois formavam a caixa de música mais sutil, mais suave e a mais tocante... A única que não estava a venda.
R.
terça-feira, 15 de janeiro de 2008
Destino : Mundo a fora!

Pra quem gosta de viajar, de simplicidade e de ver como a natureza pode oferecer cenas fantásticas, a dica é visitar CABO POLÔNIO, no Uruguai.
Trata-se de um balneário, situado a uns 600 km de Porto Alegre e onde só se pode chegar em veículos 4 x 4 ( serviços fornecidos por empresas especializadas, a preços super acessíveis).
O lugar, carente de árvores, água potável e energia elétrica, abriga 40 famílias que se distribuem em casinhas de arquitetura irregular.
Um farol de 39,7 m impossibilita que o cemitério de navios ali naufragados aumente sua frota e nada mais nada menos que 300 mil lobos marinhos deixam qualquer um boquiaberto.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2008
quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
O tempo passa...

O termo calendário, como quase todos os outros, veio dar no português através do latim. Calendarium era o nome do livro onde os agiotas de Roma anotavam os empréstimos que faziam com suas respectivas datas de vencimento. O nome veio-lhe de calendae, o primeiro dia do mês romano, que era oficialmente o dia em que venciam todas as dívidas.
Deixando a etimologia vagabunda de lado, com a chegada do fim de ano sempre aparecem nas pautas de criação pedidos por um ou outro calendário. Apesar de sua origem meio sórdida, entretanto, os calendários são sempre peças interessantes para se trabalhar, já que parte-se da premissa de que se não forem atraentes as pessoas não os usarão, preferindo até mesmo as medonhas folhinhas das companhias de gás, pois elas, ao menos, trazem marcadas as datas em que passa o caminhão - como se a irritante musiquinha já não fosse suficiente.
Para esse ano criamos aqui uma série de três calendários batizada como TIM Vintage Summer, inspirada na estética da década de 1950, nos verões californianos, quando os hot rods andavam roncando pelas estradas, todos queriam ser James Dean e o surf, enquanto estilo de vida, estava engatinhando.
Só espero que esses calendários sirvam para algo mais do que apontar dívidas em 2008... As minhas, pelo menos.
Respeitável público!
Ainda que meio tardiamente, eis que a CDA resolve embarcar no bonde da história. Sei que ela fará isso ora com a classe de uma senhorita pudica e casadoira que mede os passos e segura as saias para que o vento não lhe revele o que deve permanecer escondido... Ora com o ímpeto de um gurizote meio ranhento, que se pendura no estribo mesmo que não tenha lugar algum para ir, apenas pela audácia de desafiar o trocador... Ora com a placidez e sensação de dever cumprido do trabalhador, em roupas cinzas, que retorna para casa no exato instante em que a cidade acorda...
Ela o fará assim simplesmente porque em sua alma está o fragmento: não é uma, mas muitas, e todas diferentes. A CDA é um caldeirão efervescente em que convivem, de forma mais ou menos harmônica, histórias e caminhos que, não fosse por ela, provavelmente jamais poderiam se cruzar. Se estivéssemos em um poema, bebendo das metáforas, seriam histórias e caminhos condenados à paradoxal solidão das paralelas, mas talvez já não haja lugar para esse lirismo de outros tempos...
Então a proposta destas cdazices, mais que se arvorar à invenção do neologismo, parece ser exatamente a celebração dessas coisas que nos unem justamente porque nos separam... Assim, desavisado leitor, não se acanhe em praguejar quando tropeçar em um traço solto, em um verso meio debochado, em uma imagem provocativa a lhe fazer caretas e mostrar a língua... Tudo isso faz parte do show... E o show tem que continuar.
Senhoras e senhores, segurem seus chapéus...
R.
Ela o fará assim simplesmente porque em sua alma está o fragmento: não é uma, mas muitas, e todas diferentes. A CDA é um caldeirão efervescente em que convivem, de forma mais ou menos harmônica, histórias e caminhos que, não fosse por ela, provavelmente jamais poderiam se cruzar. Se estivéssemos em um poema, bebendo das metáforas, seriam histórias e caminhos condenados à paradoxal solidão das paralelas, mas talvez já não haja lugar para esse lirismo de outros tempos...
Então a proposta destas cdazices, mais que se arvorar à invenção do neologismo, parece ser exatamente a celebração dessas coisas que nos unem justamente porque nos separam... Assim, desavisado leitor, não se acanhe em praguejar quando tropeçar em um traço solto, em um verso meio debochado, em uma imagem provocativa a lhe fazer caretas e mostrar a língua... Tudo isso faz parte do show... E o show tem que continuar.
Senhoras e senhores, segurem seus chapéus...
R.
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